terça-feira, 4 de março de 2014






O Condimento das Impossibilidades

  

O amado vaga silencioso pelas

pétreas vielas tecidas

nas resplandecentes eras de outrora.

As multidões partem desnudas do

pó do mundo, muitos ébrios no perfume

dos jasmins de Gaza.

A lembrança do teu semblante, esmorecido nos

açoites do tempo, arrancam versos da

insondável profundidade do meu abismo interior.

Acenas para o luar que me contempla

neste cárcere, ora gradeado de puro aço,

ora apenas ornado no éter que emana

do teu distante ser.

Vislumbro-te majestoso na névoa das

recordações e enleio-me no aroma do

açafrão, condimento das impossibilidades,

que a existência nos concede.

Diante dele, resta-me estender os

poemas de amor dos poetas que

habitam o nada.

O Allah! Desce do infinito as constelações,

descerra as portas do paraíso,

oferta os tesouros do sagrado

ao valoroso guerreiro que minhas milícias

jamais venceram.
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