sexta-feira, 1 de outubro de 2010


Os Lábios da Eternidade

Outrora em azáfama
minh’alma foi fragmentada
na ausência da sabedoria ancestral.
Do cálice de puro dulçor,
distinto licor me embriagava.
Despertem de vossas auroras os encantos dos
tempos idos, quando o sol tangia a pira sagrada dos buscadores e os amantes celebravam
banhados pelo luar de âmbar da antiguidade.
Que se fenda o barro! Revele a face do ser
genuíno e seus olhos e ouvidos sejam contemplados
com a elegia dos lábios da eternidade.
Canta minha pétrea alma o hino do amor
perfeito! Busca a lírica melodia dos pássaros
de Al-Farid Attar.
Esqueçam os ossos e se insinuem diante da
esfinge que surge no horizonte acobreado,
cuja face milenar não extinguiu o calor
pujante do beijo místico.
O mistério jamais foi imolado pelos séculos.
Na brisa acetinada da supremacia cósmica...
perfumes, cores e formas ressurgem imanentes
do éter essencial, fazendo jus ao real e irreal,
acariciando as faces luminosas dos enamorados.
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