quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Os Mil Sóis do Amor

Arcanjos de vestes esvoaçantes desvanecendo
A nevoa em torno de ânforas gélidas,
O canto de cobre do pássaro de Nûr
Libertando inefáveis versos;
Eis o fogo de Rumi.
Como pode o sapientíssimo alar um
dromedário? Eis me:
Sou pombo cinéreo sobrevoando desertos e montanhas
De cujos escombros espectros narram com
fervor alexandrino seu passado de glória e desterro.
Vislumbro luares estendidos por sobre pedras
meditantes, ante os séculos ornado de
silêncio desconcertante, esperam este
atormentado fiel para que traduza o
paradoxo de seus seres em ruínas
de cujas bocas pendem flautas de bambu
repletas de melodias Mavlevi.
Meus pecados não são poucos, no entanto,
coses minhas vestes esfarrapadas nos ventos da existência.
Vossa misericórdia tem lábios de seda e beija
a face quem lhe apraz.
Diante desse incerto vale sou vosso servo
O tudo e o nada; eis os mil sóis do
Amor Divino.

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