quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Os Mil Sóis do Amor






Os Mil Sóis do Amor


Arcanjos de vestes esvoaçantes desvanecendo

A nevoa em torno de ânforas gélidas,

O canto de cobre do pássaro de Nûr

Libertando inefáveis versos;

Eis o fogo de Rumi.

Como pode o sapientíssimo alar um

dromedário? Eis me:

Sou pombo cinéreo sobrevoando desertos e montanhas

De cujos escombros espectros narram com

fervor alexandrino seu passado de glória e desterro.

Vislumbro luares estendidos por sobre pedras

meditantes, ante os séculos ornado de

silêncio desconcertante, esperam este

atormentado fiel para que traduza o

paradoxo de seus seres em ruínas

de cujas bocas pendem flautas de bambu

repletas de melodias Mavlevi.

Meus pecados não são poucos, no entanto,

coses minhas vestes esfarrapadas nos ventos da existência.

Vossa misericórdia tem lábios de seda e beija

a face quem lhe apraz.

Diante desse incerto vale sou vosso servo

O tudo e o nada; eis os mil sóis do

amor divino.

Enviar um comentário